Livro didático, a extorsão nossa de cada ano Janeiro 31, 2009
Posted by João Carlos Caribé in Defesa do consumidor, Ecologia, Educacao, Ponto de vista, Tecnologia, cidadania, fobia tecnológica.Tags: consumo, Ecologia, Educacao
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Acredite ou não, nesta foto tem R$ 691,95 em livros didáticos, ou para ser mais preciso, ainda faltam três livros paradidaticos e três apostilas, mas em suma, R$ 691,95 por um conjunto de livros do nono ano (antiga oitava série) é no mínimo um roubo. Se dividirmos o preço total dos livros pela quantidade de livros, que são 15, temos que o livro médio custa R$ 46,15. Considerando os preços extorsivos dos livros no Brasil, R$ 46,15 é quanto custa em média bons bestsellers de negócios.
Por mais que as editoras argumentem, pode ser baixa tiragem, pode ser o que for, mas uma coisa é certa, a taxa de encalhe é nula ou próxima disto, todos os livros produzidos são vendidos, pois os pais, reféns da indicação do livro pela escola, são obrigados a compra-los. Livros estes que em geral, apesar da impressão em cores, são de baixa qualidade e em sua maioria descartáveis, não servem para um outro aluno no ano seguinte.
Na prática, nós pais, somos vitimas, reféns ou trouxas mesmo. No modelo jurássico de educação que vivemos, onde livros didáticos são escolhidos por coordenadores, e professores atuam como meros interpretes do plano de aula do autor do livro, não poderia ser diferente. Sem contar que o livro didático é protegido por direitos autorais, o que na prática não protege o autor coisa nenhuma, apenas garante os lucros absurdos do editor. Pois a unica forma de escapar deste custo extorsivo seria utilizar livros de um colega que ja esta mais adiantado. “Deus me livre de meu filho usar livro dos outros”, falam alguns pais como se isto fosse a pior coisa do mundo, trouxa eles. Mas temos de adimitir, a industria de livros didáticos é uma verdadeira máfia, somos extorquidos todos os anos.
A luz no fim do túnel pode estar em algumas hipóteses:
- Reformulação do modelo educacional, onde o professor passe de supremo detentor do conhecimento para mentor do auto-ditatismo. Desta forma os livros didáticos seriam totalmente dispensáveis e/ou os alunos teriam a liberdade de consultar a fonte que estiver disponível e/ou desejar.
- Livros didáticos em creative commons, é uma tendência, muitas obras de grande qualidade estão em creative commons, são músicas, videos, imagens, livros e um monte de obras culturais em creative commons. A adoção deste modelo significa uma ruptura com o modelo de negócios que “comercializa a cultura”. Este modelo poderia ser em forma de livros e até mesmo em forma de Wikis, como a Wikipedia. Para isto precisamos deixar de demonizar a tecnologia.
- Eco-livros digitais livres – Estes seriam na verdade uma variação do item anterior, seriam como livres open source, que as escolas poderiam obter uma licenca única e replicar para seus alunos. Eco-livros seriam livros ou software com objetivo didático, como as enciclopedias digitais, com a vantagem de serem ecológicos e reaprovetaveis. Poderia ate receber upgrade automatico via web.
Estas são algumas hipoteses, quem sabe não apareçe um grupo de educadores para colocar a ideia do livro didatico livre em prática, provavelmente um projeto destes, colaborativo, produzirá um produto muito melhor, com a conjunção de ideias e pontos de vista dispares, um produto muito mais consistente.
Por fim, como na cultura livre, o conhecimento pertence à humanidade.
UPDATE 23:00 – Coincidência ou não, o @dpadua Twittou um site sobre uma iniciativa de livros didáticos livres.

Sobre o ponto (1), li certa vez em um livro sobre o estudo de piano, bem antigo, encontrado em um sebo, algo no sentido de que “o papel do professor de piano é fazer com que seus alunos deixem de depender do tutor para avaliar o próprio avanço e propor o que deve ser melhorado”. Acredito que o esmo vale para professores de qualquer disciplina! Afinal, se os alunos não desenvolverem esta independência, e capacidade crítica, no fim se tornarão meros repetidores daquilo que viram na escola…
Quanto à tendência apontada no item (2), existe também o Wikilivros, da mesma família da Wikipédia, o Wikisource e o Wikicionário… E o Wikilivros visa o desenvolvimento colaborativo de textos didáticos (de livros e manuais, a tutoriais e notas de aula…)
Apesar do tom forte e pouco profundo, o autor deste texto tem suas razões para reclamar. Digo isto porque, após mais de uma década ensinando e pesquisando o ensino, resolvi ver o outro lado da questão: trabalho hoje como editor de livros didáticos.
O problema é bastante complexo para que uma discussão caiba toda aqui, mas já adianto que um dos problemas é a falta de canais de comunicação entre universidade, poder público, professores, editoras e consumidores.
Há tempos fermento o projeto de um livro aberto. No entanto, isso esbarra em interesses das instituições que os apoia, e quando não as há, corremos o risco de distribuir textos com pouca ou nenhuma qualidade ou cair na mesmice, como vemos em diversos textos da Wikilivros.
Acho que é hora de mudar o tom: quam está disposto a colaborar (ou melhor, co-laborar) na produção de um bom livro?
Eu estou: marcelo_pulido@yahoo.com.br.
Pois é Marcelo, há realmente muito poucos querendo colaborar na produção de textos de qualidade.
No Wikilivros mesmo, posso dizer que em certas áreas do conhecimento sequer existem pessoas contribuindo com conteúdo, e nessas condições fica realmente difícil obter algo _de qualidade_.
)
(Sinta-se convidado caso queira contribuir por lá, ok?
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